21 de outubro de 2020

Associação fala em ‘vergonha’ e pede punição após desembargador voltar a humilhar guardas municipais

O presidente da Associação dos Guardas Civis Municipais da Baixada Santista, Rodrigo Coutinho, disse ao G1 nesta sexta-feira (7) que espera uma punição ‘mais rigorosa’ para o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo Eduardo Siqueira, que foi flagrado novamente sem máscara na orla de Santos, no litoral paulista, e ainda debochou dos guardas em áudio, afirmando que “não dá bola” e os acusando de “poluir a praia”.

Ao G1, Coutinho afirma que o novo áudio, divulgado nesta quinta-feira (6), não foi uma surpresa. O áudio foi enviado pelo desembargador à Reportagem após ser questionado sobre ter caminhado na faixa de areia sem utilizar máscara, em meio à pandemia de Covid-19. O registro foi feito por uma moradora de Santos, que prefere não se identificar. Ela alega que o magistrado caminhou na praia, entre os canais 4 e 5, na manhã da última quarta-feira (5), com o equipamento de proteção no pescoço.

“Esperamos que sirva como agravante para que uma possível punição dele seja mais rigorosa”, disse Coutinho. O sindicalista reafirmou que o áudio não causou surpresa, mesmo após o desembargador ter pedido desculpas ao guarda. “Ele já vem demonstrando que tem dificuldades de cumprir regras, e por ser um desembargador, acha que é um cidadão diferente das outras pessoas”, diz.

“Quem deveria dar o exemplo de boa conduta, por ser um magistrado, é ele, e quem polui a praia jogando papel no chão é ele”, disse Coutinho, fazendo referência à frase dita por Siqueira em áudio enviado ao G1. “Possivelmente, os demais desembargadores se envergonham em ter um colega que se comporta assim”, completa.

Coutinho ainda relata que esse é um momento importante para os guardas municipais, já que há a discussão sobre a autoridade da GCM após o caso do magistrado. Ele diz que há respaldo jurídico para o guarda autuar em fiscalizações e patrulhamento preventivo, e que esta discussão ajuda ao ressaltar a importância do trabalho da guarda. O profissional humilhado por Siqueira também se pronunciou, afirmando que o magistrado ‘não vai mudar’.

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